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Na América Latina, os voos são gradualmente retomados após o fim das restrições governamentais impostas ao surto.


(Bloomberg) - A retomada dos voos no mercado brasileiro deu fôlego a duas das companhias aéreas que sobreviveram a uma onda de pedidos de recuperação judicial na América Latina.


Gol e Azul - que juntos têm cerca de 75% de participação no mercado brasileiro em julho, segundo o Citigroup - olharam mais rápido do que o esperado na demanda, embora os níveis ainda estejam bem abaixo dos níveis pré-epidêmicos.


Os investidores estão cada vez mais confiantes de que as companhias aéreas de baixo custo podem sobreviver à paralisação de viagens que levou três das maiores companhias aéreas da região a buscar uma recuperação judicial.


"A tendência é melhor porque a recuperação da demanda doméstica no Brasil tem sido mais rápida do que o esperado e porque a Azul e a Gol estão focadas no mercado interno", disse Josseline Jenssen, "a geração de fluxo de caixa deve melhorar quando a receita aumentar".


Os títulos emitidos pela Gol e pela Azul apresentam retornos de 70% e 45% respectivamente desde o final de março, em comparação com uma queda de 6,5% no índice de companhias aéreas de alto rendimento Bloomberg Barclays no período.


As ações dessas empresas subiram 53% e 31%, respectivamente, superando o índice. No acumulado do ano, ambos os documentos ainda mostram uma queda de pelo menos 50%, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.


A Gol informou esta semana que realizará uma média de 270 voos por dia em setembro, em comparação com cerca de 40 voos por dia em abril. A Azul deve atingir cerca de 55% da capacidade de pré-capacidade da Covid em outubro, superando sua estimativa original de 40% até o final do ano.


"Mais uma vez, continuamos a ver melhorias na demanda de passageiros no país à medida que nos aproximamos da alta temporada no Brasil", disse o presidente John Rodgerson em comunicado.


Na América Latina, os voos são gradualmente retomados após o fim das restrições impostas pelo governo para conter a propagação do novo coronavírus.


No auge da crise, Latam Airlines, Avianca e Grupo Aeromexico pediram recuperação judicial nos Estados Unidos, em meio a uma demanda plana e fraca que forçou o avião a pousar.


Operadores da região quadruplicaram a capacidade em setembro em relação a maio, segundo dados compilados pela OAG Aviation.


O status de liquidez da Azul de R$ 2,3 bilhões no final de setembro foi equivalente a mais de 30 meses de reservas de caixa.


Dada a situação mais positiva recentemente, analistas do Goldman Sachs, Raymond James e Deutsche Bank levantaram suas recomendações para que as ações de companhias aéreas brasileiras comprassem. As empresas podem "não apenas sobreviver, mas prosperar" no que deveria ser um ambiente de baixa taxa no momento, disse a Deutsche.